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Não é mais sobre Havaianas. É sobre a gestão Bruno Reis

Leno Assis analisa a queda na aprovação de Bruno Reis, o desgaste político, ruídos na relação com a imprensa e os riscos de uma gestão sem contrapontos em Salvador.

23/12/2025 às 06h54 Atualizada em 26/12/2025 às 10h38
Por: Redação
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Fotomontagem: ComunikaTV
Fotomontagem: ComunikaTV

A recente polêmica nas redes sociais em torno de um comercial de sandálias pode até render engajamento, mas não explica nem resolve o que realmente importa em Salvador: os sinais claros de desgaste da gestão do prefeito Bruno Reis, do União Brasil. Os números falam por si. Há cerca de um ano, segundo levantamento da Atlas Intel, o prefeito ostentava uma aprovação confortável de 86%. Hoje, esse índice caiu para pouco mais de 50%, enquanto a reprovação já se aproxima dos 30%. A pergunta que se impõe é simples e incômoda: o que mudou no primeiro ano do segundo mandato?

Parte da resposta está no comportamento político adotado pelo prefeito. Crescem as críticas ao tom áspero e ríspido com a imprensa, aos ataques recorrentes ao governo do estado e a uma postura considerada exagerada na defesa do seu grupo político, especialmente do ex-prefeito e hoje pré-candidato ACM Neto. Soma se a isso um conjunto de intervenções urbanas que, longe de consenso, tem provocado insatisfação em diversos bairros da capital. O desgaste não surge do nada. Ele se constrói na rotina da gestão, no diálogo truncado e nas decisões que afetam diretamente a vida da cidade.

Outro ponto sensível é a relação com a Câmara Municipal. Bruno Reis governa com uma maioria esmagadora, que aprova praticamente tudo o que chega ao plenário. Não se trata de criticar o rito institucional nem o papel da presidência da Casa, mas de alertar para um risco clássico da política: a ausência de contraponto. Uma Câmara que apenas diz amém pode facilitar o caminho do prefeito no curto prazo, mas tende a cobrar seu preço adiante, quando projetos pouco debatidos começam a mostrar efeitos negativos para o município e a população percebe.

O cenário acende um sinal de alerta. Não apenas para a gestão municipal, mas também para o projeto político do grupo que comanda Salvador há mais de uma década. Em ano pré-eleitoral, ACM Neto dependerá diretamente da popularidade de Bruno Reis na capital. Se o ruído atual não for tratado com mudança de postura, ajuste de tom e maior escuta social, o desgaste pode ultrapassar a Prefeitura e respingar na disputa estadual. No fim das contas, não é sobre uma sandália viral. É sobre governar, ouvir e corrigir o rumo antes que a conta política chegue.

 

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